Superbactéria: um novo bicho à solta!

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A passos da evolução da medicina, em todas as quadrantes, o uso desregrado de antibióticos traz, hoje, um (novo) problema para a humanidade. Comummente conhecido por bactéria resistente, a “epidemia” vai matar uma pessoa em cada três segundos em 2050, caso medidas não forem tomadas de imediato.

O problema não é novo e já está a preocupar a humanidade. Nos hospitais, nos vasos sanitários, nos machimbombos e em qualquer lugar com maior aglomeração populacional os microrganismos espalham-se e procuram “vida”.

Surgiram por causa do uso incorrecto e indiscriminado de antibióticos, mas também se desenvolvem em pessoas que interrompem o tratamento, por exemplo, da Tuberculose, que em decorrência disso, as bactérias não são eliminadas e assim desenvolvem defesa aos fármacos.

Actualmente, a resistência aos antibióticos mata cerca de 700 mil pessoas por ano em todo o mundo. Porém, caso nada seja feito imediatamente com vista a sanar o problema, até 2050 os números poderão atingir o extremo dos 10 milhões de pessoas, ultrapassando as mortes por câncer que chegam aos oito milhões de vítimas por ano.

Em Moçambique, por ser um problema, diga-se, novo e, por isso, de difícil definição e compreensão, o Ministério da Saúde em coordenação com a USAID, SIAPS e IREX ministram um workshop de formação de jornalistas em matérias de resistência antimicrobiana.

A verdade é que, embora superbactéria seja um conceito lato e sobretudo ainda de difícil assimilação, torna-se complicado ignorar uma sucessão de atrocidades imunológicas que (desde a divulgação do relatório britânico sobre a “epidemia” em 2014 até aos dias actuais) continuam a matar, quase sempre, sem chances de escapar.

Todavia, o perigo é de tal forma sério que o assunto não é apenas abordado pela comunidade científica, como já faz parte das agendas politicas, sociais e culturais em todo o mundo. Na abertura do seminário do dia 24 de Outubro em Maputo, o inspector Martinho Djedje falou da necessidade de, todos, agirmos de forma coordenada em todos os fóruns sociais.

“Esta é uma das grandes ameaças com que a humanidade já lutou. E deve, portanto, ser uma luta séria para que possamos vencer”, Martinho Djedje

A resistência aos antibióticos é uma resposta dos microrganismos ao uso desses medicamentos. Seu uso — e especialmente o seu abuso que acorre, muitas vezes, no estímulo do crescimento animal e toma de medicamentos sem prescrição médica — faz com que, por meio de diferentes mecanismos biológicos, percam sua eficácia.

Isto é, as bactérias deixam de ser sensíveis aos seus efeitos e são necessários princípios activos cada vez mais agressivos — e tóxicos para o organismo humano — para eliminá-las.

Porém, não só o uso abusivo de antibióticos em seres humanos representa os dados. Outro dos grandes focos de resistência é a agropecuária. Aqui, a passagem da superbactéria ocorre quando a pessoa se alimenta da carne e/ou produtos fertilizados na base desses fármacos.

A resistência das bactérias aos antibióticos “de primeira linha”, ou seja, aqueles usados mais habitualmente, aumenta a mortalidade por vários motivos: enquanto não se acerta com o antibiótico, a bactéria está sempre a se multiplicar e a causar danos (sobretudo se o hospedeiro é frágil) que se podem tornar irreversíveis; os antibióticos de segunda escolha muitas vezes são-no porque têm efeitos secundários negativos (afetam o fígado, os rins, etc.).

A grande maioria dos casos fatais estão na Ásia (4,7 milhões) e em África (4,1 milhões), seguidas pela America Latina (392.000), Europa (390.000), América do Norte (317.000) e Oceânia (22.000).

As campanhas de informação, tanto para médicos quanto para pacientes e a sociedade no geral, são uma das principais ferramentas para evitar esse mau uso de antibióticos.

As superbactérias surgiram como um dos principais problemas de saúde pública da última década. O fenómeno tem apresentado constante crescimento e, por enquanto, esses microrganismos mostram-se bastante resistentes à maioria dos antibióticos. Por isso, as medidas de prevenção e de controle são indispensáveis em todos os hospitais, centros cirúrgicos e quaisquer outros ambientes que estejam sujeitos à sua proliferação.

 Portanto para evitar estas superbactérias:

  1. Nunca tome antibióticos sem receita médica. Siga à risca as indicações do médico, quer no que toca à quantidade e à duração do tratamento;
  2. Lave as mãos com frequência. Não é preciso usar um anti-séptico em casa e ter tudo desinfetado, basta que esteja limpo;
  3. Evite idas desnecessárias ao hospital, o habitat preferido das superbactérias;
  4. Nunca deite pelo cano abaixo o resto de antibiótico. Entregue-o numa farmácia;
  5. Evite fumar, faça uma alimentação saudável, evite a diabetes.

 

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